Um dos principais chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital), Sérgio Luiz de Freitas Filho, vulgo “Mijão” ou “Xixi”, condenado por tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul, poderá ser extraditado para os Estados Unidos para cumprir pena em penitenciárias de segurança máxima norte-americanas.
Segundo o site Midiamax, a extradição de criminosos do PCC escondidos na Bolívia para os Estados Unidos ganhou força em setembro deste ano, quando o presidente Donald Trump assinou o Acordo Escudo das Américas, em conjunto com 14 países da América Latina.
Brasil e México não fizeram parte do acordo. A possibilidade de extradição decorre do fato de Mijão estar foragido na Bolívia.
A matéria informa que “o acordo inclui compartilhamento de inteligência e operações militares coordenadas entre as nações participantes, com foco no combate ao narcotráfico e a outras redes do crime organizado. O PCC e o CV (Comando Vermelho) estão entre as 24 organizações citadas como alvos das sanções”.
Foragido na Bolívia e procurado internacionalmente, Mijão é apontado como um dos principais suspeitos na tentativa frustrada de matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, de Campinas. Hoje, o criminoso está com o nome incluído na lista vermelha da Interpol e vive há mais de 10 anos em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, segundo o G1 de Campinas e Região.
Lá, ele manteria uma rotina de luxo em condomínios fechados, protegidos por muros altos e segurança reforçada, conforme investigações do MPSP (Ministério Público de São Paulo). Os criminosos estariam usando documentos falsos e teriam como uma das principais funções fortalecer a estrutura internacional de tráfico de drogas da facção.
Além de Mijão, aparecem entre os procurados Silvio Luiz Ferreira, conhecido como “Cebola”; Décio Gouveia Luís, o “Décio Português”; e Patric Uelinton Salomão, o “Forjado”. Alguns deles também são procurados pela Interpol.
O delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) de São Paulo, afirmou em entrevista ao podcast “True Crime” que líderes do PCC foragidos na Bolívia poderão ser extraditados aos Estados Unidos caso sejam presos. Até o momento, porém, não há oficialmente a existência de um pedido de extradição norte-americano especificamente contra Mijão.
Condenação em Mato Grosso do Sul
Mijão tem ligação antiga com Mato Grosso do Sul. Em abril de 2023, ele foi condenado a 8 anos e 2 meses de prisão por tráfico de drogas, em processo envolvendo 58 quilos de cocaína apreendidos em 2013 na Base Operacional da Polícia Rodoviária em Amandina, distrito de Ivinhema. As investigações apontaram que a droga seria levada para abastecer pontos de venda ligados ao PCC em São Paulo.
O Ministério da Justiça também aponta Sérgio Luiz de Freitas Filho como integrante de facção criminosa e responsável por negociações para compra de cocaína e pasta base na Bolívia, além da logística para levar a droga ao Brasil.
Mijão também é investigado em São Paulo por suspeita de participação na articulação de um plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, de Campinas. Conforme o MPSP, ele integra a chamada “sintonia final”, núcleo responsável pelas principais decisões da organização criminosa.
Prisões na Bolívia
A cooperação entre forças policiais da Bolívia e dos Estados Unidos já resultou recentemente na captura de integrantes da facção em Santa Cruz de La Sierra. Em setembro, Roberto Prieto Filho, o “Betinho da Baixada”, e Márcio Barbosa da Silva, o “Beiço de Mula”, foram presos em uma operação que teve participação de autoridades brasileiras e bolivianas, além de agentes norte-americanos.
O acordo reforçou o cerco aos integrantes do PCC que permanecem escondidos na Bolívia. Para Mijão, que segue foragido, uma eventual captura pode agora abrir eventual extradição para responder perante a Justiça dos Estados Unidos.

