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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Militar disse que estava a 65 km/h, e avançou sinal por “medo de levar tiro”

Victor Vicentin Rocha foi ouvido nesta segunda-feira (19) durante audiência de instrução e julgamento

O militar do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, afirmou que avançou o sinal vermelho por medo de levar um tiro antes de atingir a motocicleta da vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, no Centro de Campo Grande. Durante o interrogatório nesta segunda-feira (19), na primeira audiência de instrução e julgamento do caso, ele disse que acreditava estar a 60 ou 65 km/h, mas a promotora mencionou um laudo que estimou a velocidade da caminhonete entre 121 km/h e 125,44 km/h durante a batida anterior com um Volkswagen Virtus.

Victor admitiu que sabia dos riscos de dirigir depois de consumir bebida alcoólica. Questionado pela assistência de acusação, confirmou que tinha consciência de que assumir a direção de um veículo após beber colocava outras pessoas em perigo.

O militar também declarou que fazia uso de medicamentos controlados havia bastante tempo, entre eles quetiapina e bupropiona. Ao ser questionado pelo juiz sobre o risco de combinar os remédios com álcool, respondeu que já havia sido alertado por um médico.

Durante o interrogatório, Victor afirmou que estava mal quando assumiu a direção da caminhonete. Questionado se não considerou pedir para outra pessoa dirigir, deixar o veículo no local ou buscar outra forma de voltar para casa, não apresentou uma justificativa detalhada que pudesse ser compreendida na gravação.

Ao falar sobre a velocidade da caminhonete, Victor estimou que trafegava a 60 ou 65 km/h no momento da colisão com Miriam. A promotora, porém, citou um laudo que indicava velocidade entre 121 km/h e 125,44 km/h em uma batida anterior, envolvendo o Virtus conduzido por um motorista de aplicativo.

O juiz questionou a diferença entre a estimativa apresentada pelo réu e os números mencionados pela promotoria. Victor insistiu que, na percepção dele, estava a aproximadamente 60 km/h.

Sobre o avanço do sinal vermelho no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa, o militar respondeu que agiu por medo de ser baleado pelo motorista do Virtus, que, segundo ele, os perseguia após a primeira batida.

O réu também confirmou que passou por alguns sinais vermelhos durante o trajeto. Ao ser questionado pela promotora se havia parado em algum semáforo, respondeu que parava e olhava antes de seguir.

Militar disse que estava a 65 km/h, e avançou sinal por "medo de levar tiro"
Militar disse que estava a 65 km/h, e avançou sinal por "medo de levar tiro"
Chevrolet S10 destruída após atingir motociclista na Rua Maracaju, no dia 20 de junho (. Foto: Osmar Veiga)

Antes do interrogatório de Victor, o amigo Luan Leandro Alves, que estava na caminhonete no momento do acidente, afirmou que os dois haviam consumido bebidas alcoólicas naquela noite. Segundo ele, cerca de cinco pessoas estavam reunidas e beberam cerveja. O grupo também comprou uma garrafa de bebida destilada, mas Luan disse não se lembrar de quem era o recipiente encontrado no veículo.

Luan sustentou que o motorista do Virtus atingiu a caminhonete durante uma tentativa de ultrapassagem e passou a buzinar, acionar o farol alto e gritar para que parassem. Na versão dele, Victor ficou assustado e continuou dirigindo por medo do outro condutor.

O amigo estimou que o Virtus os acompanhou por quatro ou cinco quadras. O juiz, no entanto, questionou a versão ao apontar que as imagens do acidente fatal não mostram o carro próximo à caminhonete no momento em que ela atinge a motocicleta de Miriam. Luan disse não saber qual era a distância exata entre os veículos naquele instante, mas insistiu que o motorista os seguia desde a primeira batida.

Questionado sobre o consumo de álcool, Luan afirmou que também havia bebido e que Victor estava mais sóbrio do que ele. Por isso, segundo o depoente, permitiu que o amigo dirigisse a caminhonete.

O amigo também relatou que Victor fazia acompanhamento psiquiátrico e tomava medicamentos, além de ter sido afastado do Exército por depressão. Ele afirmou que sabia do tratamento, mas não alertou Victor sobre os riscos de ingerir álcool naquela condição.

Luan negou que ele e Victor tenham tentado fugir depois de atingir a motocicleta. Segundo o depoimento, os dois desceram da caminhonete após o impacto. Ele disse que foi até onde Miriam estava, enquanto Victor permaneceu desorientado.

O motorista do Virtus, ouvido anteriormente como informante por figurar como vítima da batida anterior, negou ter perseguido ou ameaçado o militar. Ele afirmou que apenas buzinou e acionou o farol alto para tentar fazer Victor parar depois que a caminhonete atingiu seu carro.

O motorista de aplicativo disse que perdeu a caminhonete de vista e só ouviu o barulho da colisão fatal. Ele também negou ter tentado interceptar o veículo ou agir de forma agressiva.

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