A cada eleitor que chega, apresenta documentos e segue para a cabine de votação, uma equipe, integrada por 27,9 mil pessoas em todo o Estado, trabalha para garantir que todos possam exercer o direito ao voto. A rotina começa cedinho e envolve a organização das seções, a identificação dos eleitores e o atendimento de pessoas com dificuldades de mobilidade, por exemplo.
Na Escola Municipal Doutor Plínio Barbosa Martins, em Campo Grande, o vendedor João Vitor Oliveira de Souza, de 25 anos, participa de sua terceira eleição como mesário. Presidente da seção 183, ele considera o trabalho uma forma de contribuir diretamente para o processo democrático, além de exercer o próprio direito ao voto.
"É um processo democrático, onde a gente também precisa estar à disposição daquilo que precisa ser feito para o nosso país. Não somente votar, mas ajudar a construir essa eleição", afirma.
Com a experiência acumulada, João Vitor conta que tudo indica ser um dia de votação tranquila. O trabalho, lembra, exige atenção e responsabilidade, principalmente para garantir que as preferências políticas dos integrantes da equipe não interfiram no atendimento.

"Todos os anos a gente tem expectativa sobre o nosso candidato, mas a gente precisa se manter imparcial, porque a gente também precisa respeitar a liberdade das pessoas", explica.
Para quem participa pela primeira vez, a rotina envolve aprender os procedimentos necessários para receber os eleitores, conferir documentos e auxiliar no funcionamento da seção. João Vitor avalia que a experiência permite conhecer mais profundamente uma etapa importante das eleições.
"Para muitos que estão chegando agora, é uma coisa muito diferente, que é participar mais profundamente daquilo que acontece no nosso país, é entender aquilo que acontece", destaca.
O cuidado com quem precisa de atendimento especial é parte inerente do dia de serviço ao País. Segundo João Vitor, a equipe precisou adaptar o procedimento de identificação de uma eleitora com mobilidade reduzida que enfrentava dificuldades para registrar a impressão digital.
"A gente ajustou para que ela conseguisse fazer a digital dela, porque os dedos também não conseguiam. Então a gente tem todo esse cuidado com aqueles que mais necessitam", relata.

Entre as eleitoras atendidas estava a aposentada Creusa Martins, de 75 anos. Com dificuldades de mobilidade, ela não conseguiu comparecer ao primeiro turno porque chovia muito e não tinha condições financeiras de pagar uma corrida por aplicativo.
Neste domingo, porém, fez questão de ir até a escola para participar da votação. Creusa relatou que se sentiu bem acolhida pelos profissionais responsáveis pelo atendimento.
O trabalho dos mesários também contribuiu para a rapidez da votação. Sem filas longas, eleitores relataram que conseguiram votar em poucos segundos.
Na escola, a movimentação tranquila permitiu que os votantes passassem rapidamente pelas seções. Para os mesários, a rotina continua até o encerramento da votação, com a responsabilidade de atender quem chega e garantir que os procedimentos sejam cumpridos.
Para João Vitor, mais do que uma obrigação, participar da organização das eleições é uma oportunidade de contribuir para o funcionamento da democracia.

Estreante, o pedagogo Bruno Borgo, de 29 anos, relatou que o processo superou suas expectativas iniciais: “Achei que seria um pouco mais conturbado, mas não, até que é uma experiência muito bacana”.
Com afinidade pelo atendimento ao público, ele explicou que a dinâmica de orientar quem esqueceu os números dos candidatos ou se perdeu devido à mudança de local de votação tem sido gratificante:
“É uma coisa que eu já gosto de fazer, de ajudar as pessoas. Então, pra mim tá sendo uma experiência muito bacana”, define.

