Auxiliar de apoio nas eleições, Jonilton Garcia da Costa, de 33 anos, acordou às 3 horas da madrugada deste domingo (dia 25) para a jornada do voto. É preciso pular cedo da cama para estar às 4h no Cartório Eleitoral de Corumbá, a 428 km de Campo Grande.
Às 4h30, ele pega a estrada em direção ao distrito de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai, região do Pantanal. O objetivo é chegar às 6h na comunidade, um povoado que surgiu com a ferrovia, desativada na década de 90.
O trajeto da área urbana de Corumbá até à escola é de 180 quilômetros. Já o tempo da viagem, conforme explica Jonilton, depende muito das condições da estrada. Ele faz essa jornada há 12 anos.
“Faço a transmissão direto aqui de Porto Esperança. A internet é via satélite, então, se o tempo estiver bom, vai com mais facilidade”, diz Jonilton. A 7ª Zona Eleitoral tem três seções na escola, com 106 votantes.

Elisa Maria Nascimento da Silva, de 54 anos, garantiu o voto cedo. “O meu dever de cidadã está cumprido”. Caso tivesse que ir a Corumbá, seria 1h30 de viagem.
Ela mora em Porto Esperança há 16 anos, mas ali sempre foi o endereço da família, desde a bisavó. Elisa era pescadora, mas após um câncer de mama, se aposentou.
Distrito de Corumbá, Porto Esperança foi entreposto comercial e traslado de pessoas na época das embarcações a vapor quando o trem não chegava à fronteira com a Bolívia.
A estação ferroviária local, construída em 1912, recebia gente e mercadorias de todo lugar por meio de um ramal que chegava à beira do Rio Paraguai, onde surgiu e prosperou a comunidade. Atualmente, são 56 famílias na localidade, que conta com escola, duas igrejas evangélicas, uma católica e “venda” de produtos alimentícios.


