O movimento é intenso no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), na Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, neste domingo (25). A fila avança no local destinado ao voto em trânsito, onde eleitores participam do segundo turno mesmo com o título registrado em outro município.
Há quem tenha voltado à cidade natal depois de morar em outro Estado e quem viva na Capital há anos, mas mantenha o domicílio eleitoral no interior. Para esses eleitores, a solicitação antecipada permitiu votar sem viajar até a cidade onde estão registrados.
Segundo o auxiliar eleitoral Luciano Moreira de Souza, aproximadamente 2 mil pessoas estão aptas a votar no local. O atendimento segue o horário das demais seções, das 7h às 16h, e é exclusivo para quem solicitou a modalidade dentro do prazo.
“Apenas os eleitores que fizeram o cadastro até o mês de agosto podem vir aqui ao Sebrae, nesta seção, para votar em trânsito”, explica.

A médica Ana Clara Putrick Martins, de 33 anos, nasceu em Campo Grande, mas morou no Piauí, onde registrou o título. De volta à Capital, ainda não havia transferido o documento e pediu autorização para votar em trânsito nos dois turnos.
Para ela, participar da escolha do presidente justifica sair de casa mesmo quando o local de votação é diferente do habitual. “Se a gente quiser mudar alguma coisa, vai ter que sair de casa e votar, mesmo que seja em outro lugar, para poder fazer alguma diferença.”
O motorista Miguel Francisco Dias, de 58 anos, também mora em Campo Grande, mas tem o título registrado em Taquarussu, onde possui parentes. Como perdeu o prazo para transferir o domicílio eleitoral e não conseguiu retornar ao município, buscou outra forma de participar da eleição.
Miguel soube da possibilidade pela televisão e procurou o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), onde recebeu orientações e fez o pedido. Ele relaciona a participação nas urnas ao direito de cobrar os representantes eleitos.
“A única força que a gente tem é o voto. Por isso, precisamos fazer o máximo possível para conseguir votar”, afirma.


O advogado Adriel Oliveira, de 40 anos, mantém o domicílio eleitoral em Brasilândia, embora more em Campo Grande há quase seis anos. Ele e parte da família solicitaram o voto em trânsito para o primeiro e o segundo turnos.
“Eu e parte da minha família não transferimos nosso domicílio eleitoral e, por isso, solicitamos o voto em trânsito para votar aqui em Campo Grande”, conta.
Adriel relata que resolveu o procedimento em poucos minutos, com a apresentação dos documentos à Justiça Eleitoral. Desta vez, fez questão de se antecipar. “Nós fizemos certinho, com antecedência, para não ter nenhum problema.”
Ao explicar por que decidiu garantir a participação, o advogado defendeu uma escolha consciente. “Diante de toda uma série de situações que o Brasil enfrenta, não podemos deixar de votar. Temos que votar e votar com consciência.”

O voto em trânsito permite a transferência temporária da seção para uma cidade diferente daquela em que o eleitor tem domicílio eleitoral. A modalidade ocorre nas eleições gerais, em capitais e municípios com mais de 100 mil eleitores.
Neste ano, o prazo para solicitar a habilitação foi de 20 de julho a 20 de agosto. O pedido podia contemplar o primeiro turno, o segundo ou ambos, mediante apresentação de documento oficial com foto. Neste domingo, a votação em Campo Grande é apenas para presidente da República.

