Pela primeira vez na disputa por um cargo eletivo, a antropóloga, professora, pesquisadora e ex-secretária da SEC (Secretaria de Estado de Cidadania), Viviane Luiza (PSDB) é candidata a deputada federal. Em visita ao Dourados News , ela relatou que tem encarado o desafio de se colocar na política como ‘um grande estudo antropológico de análise’ que parte da escuta de base e de um olhar regionalizado.
Para ela, é fundamental entender que política não é ‘como uma receita de bolo’ e que não dá para ter uma normal igual para as diferentes regiões do Mato Grosso do Sul.
“Dourados é diferente de Miranda quando a gente vai falar das suas realidades, das suas necessidades e da importância que tem a região. Então, entender essa questão da regionalização da cultura, do emprego, da saúde, isso já muda muito a característica”, disse, citando exemplo.
Seguindo os conselhos da madrinha, diz que faz uma campanha sem promessas. “Não quero vender sonhos, não quero vender esperança à troca de voto. Para mim não é a qualquer custo, não pode ser a qualquer custo. O que eu me comprometo é de continuar trabalhando, lutando pelas causas que a sociedade às vezes invisibiliza, das mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência, as comunidades indígenas, os quilombos”, destaca.
OPOSIÇÃO NA POLARIZAÇÃO
Par ela, “o que gente precisa é diminuir as desigualdades”, ocupando a política com boas práticas e pessoas que estejam nos espaços de poder para defender toda a população e não apenas um nicho dentro de uma bolha.
A sensação da pesquisadora ao observar um congresso polarizado, é de ser tratar de um ‘Fla-Flu’ político, com um torcendo pela derrota do outro. “A gente esquece que nós somos um só, é um país só, é uma nação só e o outro perdendo nós perdemos juntos e acaba não sendo discutidas pautas que realmente são importantes para uma sociedade”, pontua.
Ela conta que não pretende ser oposição só para dizer que é e que acredita na necessidade de mediação e diálogo independente de quem estiver no executivo, para solucionar problemas que já existem. Pontua que pretende defender o Estado, trazer mais recursos e colaborar para que Mato Grosso do Sul tenha representantes que pensem no todo e não apenas em seu grupo político.
EDUCAÇÃO E JUVENTUDE
Para Viviane, o Brasil é um país ‘inchado’ de tantas leis e que requer uma redução na burocracia para ampliar o acesso às políticas. Ela usa como exemplo o fortalecimento do terceiro setor para que tenha constância na oferta de serviços que chegam onde o Estado não alcança ou até o acesso a crédito por pequenos produtores da agricultura familiar.
Entre os grupos de análises temáticas, pretende lutar pelo ingresso na Comissão de Educação por acreditar no setor como um meio de transformação de vida. “A educação me trouxe até aqui”, conta ela.
Para a professora, é preciso oferta de cursos técnicos levando em consideração as potencialidades regionais, para fomentar os saberes locais entre os jovens, trazer de volta o sentimento de pertencimento e, acima de tudo, diminuir as desigualdades por meio de uma mobilidade social através disso.
A pesquisadora observa que faltam polos para fortalecer a relação da juventude com as novas tecnologias e a compreensão do que eles querem para o futuro. “A gente fala ‘o jovem de hoje não quer saber de nada, não trabalha, nem estuda’. Será que a gente está fazendo a pergunta certa para esse jovem? Qual é o fomento que a gente está fazendo, então, para que eles venham também nessa discussão do que realmente é necessário para que eles estejam inseridos em políticas públicas que façam sentido para eles?”, questiona.
SAÚDE OUVINDO PROFISSIONAIS
Na visão de Viviane, a política deve sempre ser feita com a base, partindo da escuta de quem vai ser impactado diretamente pela medida. “Como que eu vou falar da saúde, enquanto eu não sentar à mesa com os profissionais que vão receber aquilo que eu estou propondo a fazer? Não pode ser da minha cabeça, não pode ser porque aquilo vai impactar mais em relação a número de votos, mais pessoas vão ver. Não dá para ser assim mais”, reforma.
No caso da saúde, por exemplo, pontua que é preciso ouvir agentes que vão às casas das famílias, médicos, enfermeiros e outros que atuam na ponta, para depois pensar no que pode ser feito seja pela legislação ou destinação de emendas.
“O que eu sinto ouvindo, não enquanto candidata, mas também enquanto secretária, que é desconexo quando a gente fala em relação à criação de legislação ou à questão das emendas, daquilo que está precisando lá na ponta. Então, isso me facilita muito porque na antropologia a gente escuta muito antes de realizar qualquer tipo de pesquisa ou de você levar adiante aquele problema sem saber a solução. A gente precisa primeiro ouvir as pessoas”, relata.
Diante dos relatos que já recebeu, percebe que um dos principais gargalos de Dourados, por exemplo, é a falta de mais uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24h para atender uma população de quase 1 milhão de habitantes, considerando que é polo regional.
“Esse é um ponto básico porque eu já ouvi muitas pessoas falando sobre isso. Então, a UPA seria uma luta e não adianta eu falar em várias coisas e não conseguir cumprir nenhuma. Então a UPA é o que eu estou muito focada, aqui em Dourados”, relata, dizendo acreditar ser uma estrutura viável de viabilizar chamando todos os entes à participarem em conjunto.

