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quinta-feira, 26 de março de 2026

Em meio à COP15, ALEMS aprova novo símbolo para a Mata Atlântica em MS

Em meio à realização da COP15 de Aves Migratórias, que coloca Campo Grande no centro das discussões globais sobre conservação e biodiversidade, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) aprovou nesta quinta-feira (26) um projeto de lei que reforça a identidade ambiental do Estado.

De autoria do deputado estadual Renato Câmara, vice-presidente da Assembleia Legislativa e presidente da Comissão de Meio Ambiente, a proposta institui a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul. O projeto segue para sanção do governador;

A iniciativa foi aprovada em um momento considerado estratégico. A COP15, que reúne especialistas, pesquisadores e autoridades de diversos países, reforça a importância da preservação dos ecossistemas e da biodiversidade — cenário que dialoga diretamente com o objetivo da nova lei.

Segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Fundação SOS Mata Atlântica, Mato Grosso do Sul possui remanescentes do bioma Mata Atlântica concentrados principalmente na região leste do Estado, ao longo do rio Paraná. Essas áreas representam uma parcela reduzida do território original do bioma, altamente fragmentado ao longo das últimas décadas, o que reforça a necessidade de políticas de preservação e valorização ambiental.

Em meio à COP15, ALEMS aprova novo símbolo para a Mata Atlântica em MS
Foto: Wagner Guimarães/Alems Renato Câmara: “O reconhecimento de uma ave como símbolo amplia o interesse das pessoas e fortalece o turismo de observação de aves”.

Ao justificar o projeto, Renato Câmara destacou o papel simbólico e prático da iniciativa.

“Esse projeto vai no sentido de fazermos com que a gente tome posse do nosso meio ambiente. E a gente toma posse de um lugar com seus símbolos e também com o seu meio ambiente, porque ele é próprio daquela região”, afirmou.

A juruva é considerada uma espécie associada a ambientes bem preservados, sendo também reconhecida como bioindicadora da qualidade ambiental. Para o parlamentar, a escolha da ave contribui para fortalecer a consciência ecológica e ampliar o interesse pela conservação.

“A juruva é uma das aves mais belas que a Mata Atlântica abriga. Destacar essa ave é também valorizar uma área que representa esse bioma em Mato Grosso do Sul, principalmente nas margens do rio Paraná”, disse.

O projeto estabelece que o reconhecimento da espécie como símbolo tem objetivos que vão além da valorização cultural, incluindo o estímulo à educação ambiental, à pesquisa científica e à conscientização da população sobre a importância da conservação da fauna e de seu habitat.

Outro ponto destacado pelo deputado é o potencial econômico da medida. A observação de aves, prática que cresce no Brasil e no mundo, tem se consolidado como atividade turística relevante.

“Quando você reconhece uma ave como símbolo, isso desperta o interesse das pessoas. O turismo de observação de aves já é uma das atividades mais rentáveis e pode atrair visitantes de vários lugares do mundo”, afirmou.

Ainda segundo Renato Câmara, o fato de a juruva ser uma espécie ameaçada de extinção reforça o caráter de proteção da proposta.

“Esse reconhecimento também se torna uma forma de preservação, de proteção a essa espécie, que tem um papel ecológico muito importante”, completou.

O deputado também associou a aprovação ao momento vivido pelo Estado.

“É um dia de comemoração, principalmente porque estamos vivendo este momento histórico de receber, aqui em Campo Grande, a COP15. Hoje, Campo Grande é a capital das aves migratórias e recebe, de presente, a aprovação desse projeto”, declarou.

Com a aprovação na Assembleia, a expectativa é que a sanção governamental consolide a juruva como símbolo ambiental da Mata Atlântica sul-mato-grossense, fortalecendo ações de educação, conservação e turismo sustentável no Estado.

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