Após recomendar o fechamento temporário do Hotelzinho Peludos Resort, em Bonito, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou investigação nesta sexta-feira (16) para apurar os acontecimentos do dia 2 de outubro, que resultaram na morte de um cão yorkshire.
Além de apurar a morte do cão, o inquérito civil do Ministério Público também visa verificar a regularidade do funcionamento do hotel para pets, como licenciamento, alvará sanitário e de funcionamento, responsabilidade técnica e condições de manejo e segurança dos animais hospedados.
No dia 6 de outubro, o MP esteve no local para realizar vistoria e constatou que o hotel já havia interrompido os serviços e devolvido todos os cachorros para os donos, antes mesmo da recomendação expedida.
A fiscalização reuniu representantes da Vigilância Sanitária, da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), da Prefeitura de Bonito e da Secretaria de Meio Ambiente. O advogado do estabelecimento também acompanhou a visita.
Agora, o Ministério Público quer saber quais as circunstâncias que levaram o yorkshire à morte no dia 2 de outubro e se o hotelzinho possuía as condições adequadas para funcionamento.
Para isso, o promotor Felipe Blos Orsi oficiou a Prefeitura de Bonito para que informe , em até 15 dias, se o estabelecimento tinha cadastro, alvará e licença sanitária para estar funcionando, e ainda pediu que uma equipe da administração municipal fosse até o local verificar se a atividade exercida no hotelzinho era compatível com a região residencial onde estava instalado.
O Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e o CRMV-MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul) também devem apresentar documentação sobre o local.
A proprietária do resort foi notificada para apresentar uma série de documentos como alvarás e licenças, termos de responsabilidade, cadastro e ficha de anamnese dos animais e histórico de agressividade dos animais, principalmente do yorkshire e do pastor australiano, envolvidos no caso, protocolo de segregação e manejo e escala e capacitação dos monitores.
Também deverão ser apresentadas informações sobre os acontecimentos do dia 2 de outubro, como quantitativo de animais que estavam no dia 2 de outubro, imagens das câmeras de segurança, comprovante do atendimento veterinário do yorkshire, histórico de brigas entre os animais e a lista de clientes.
O MP também quer ouvir os vizinhos do hotelzinho, localizado na área urbana de Bonito, para saber sobre o histórico de latidos, odor, sujeira, quantidade de animais, fugas e episódios anteriores.

Morte de cachorro e possível agressão – O caso chegou às autoridades depois que imagens mostrando um cachorro sendo agredido dentro do hotel começaram a circular e viralizaram na internet. A gravação levou à abertura de duas investigações.
Uma delas é conduzida pela Polícia Civil, que tenta esclarecer como ocorreu a agressão e quem é responsável pelo episódio, e outra pelo Ministério Público, que é conduzida pela 2ª Promotoria de Bonito.
As imagens mostram uma mulher dando tapas em Ravi, cachorro da raça Pastor Australiano. Nas redes sociais, a proprietária do hotel contou que tentava separar o cachorro de um yorkshire, identificado como Kowalski, que acabou morrendo após ser agarrado pelo animal. Ela afirmou que agiu para tentar salvar o cão menor e disse que Ravi obedecia apenas a comandos em alemão.
O tutor de Ravi, Vincent Lacerda, um influenciador, afirmou que só descobriu o ocorrido após o vídeo circular nas redes sociais e que não havia sido informado sobre a suposta briga ou a morte do yorkshire. Ele retirou o cachorro do hotel e o levou a uma veterinária, onde, segundo seu relato, Ravi chegou assustado.
A repercussão aumentou quando outro vídeo, gravado no mesmo hotel, veio a público. Nas imagens, uma monitora aparece segurando um cão pelas orelhas, puxando-o pelo pescoço e dando um tapa em sua lombar. O animal foi identificado como Manjericão, um akita de 4 anos, pela tutora Muriel Xavier, que afirmou ter descoberto a situação somente após receber a gravação de uma pessoa desconhecida.
A tutora do akita inu disse que os cães frequentavam o estabelecimento desde 2025 e que pretende registrar ocorrência, porém o caso não é investigado no âmbito do inquérito do MP.

