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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Harpista douradense representa o Brasil em projeto de integração latino-americana

A trajetória de um artista de Mato Grosso do Sul, que encontrou na harpa paraguaia uma forma de aproximar culturas sul-americanas, ganha novo capítulo em um evento internacional. O harpista, compositor e agente cultural Rafael Deboleto, estará com os artistas Mercedes Ramírez, do Paraguai, e o uruguaio Nicolás Almada, no Gira Cuerdas Hermanas — Afluentes, um concerto com entrada gratuita a ser realizado no dia 29 de outubro de 2026, às 20h, no Auditório da Biblioteca do Congresso Nacional Augusto Roa Bastos, na cidade de Assunção (Paraguai).

Ao lado dos dois músicos, Rafael Deboleto participa do Afluentes, um projeto internacional que reúne artistas em torno da música e do intercâmbio cultural ao utilizar a harpa como ponto de encontro entre diferentes trajetórias, repertórios e identidades.

A proposta é ampliar o diálogo entre os países latino-americanos por meio da arte, reconhecendo as particularidades de cada tradição

musical e as conexões históricas que atravessam as fronteiras das regiões.

Projeto Afluentes

A agenda do Afluentes em Assunção também busca promover o diálogo com instituições que atuam na aproximação entre países, como câmaras de comércio, embaixadas e consulados. A iniciativa pretende ampliar as possibilidades de cooperação entre os campos cultural, institucional e diplomático, reconhecendo a arte como uma via de intercâmbio entre sociedades.

Além de reunir músicos de diferentes países, o projeto procura criar oportunidades de encontro entre organizações que trabalham com relações internacionais, intercâmbio e aproximação regional.

Ao reunir Brasil, Paraguai e Uruguai em torno da harpa, o Afluentes propõe um encontro no qual a diversidade cultural é parte central da criação musical. Para Mato Grosso do Sul, essa perspectiva se relaciona diretamente à realidade de um estado que mantém vínculos históricos, sociais e culturais com o Paraguai.

Em Assunção, a participação de Rafael Deboleto permite apresentar essa realidade a partir de uma experiência artística concreta, construída entre diferentes territórios até porque sua a trajetória se conecta a essa proposta e reforça a possibilidade de a produção artística sul-matogrossense integrar de iniciativas de alcance latinoamericano.

Rafael Deboleto: uma história entre fronteiras

Nascido em Dourados, Rafael Deboleto construiu uma trajetória que conecta sua experiência entre Brasil e Paraguai à formação acadêmica em Relações Internacionais e a um trabalho artístico voltado às culturas do Cone Sul. A relação do artista com a harpa paraguaia começou na infância, durante o período em que viveu no Paraguai.

“Depois de retornar ao Brasil, encontrei dificuldades para continuar meus estudos, devido ao acesso limitado a professores, instrumentos e materiais especializados. A partir desse contexto, comecei a desenvolver minha sua prática musical de maneira autodidata”, destaca.

A experiência pessoal tornou-se parte importante de sua identidade artística. Em seu trabalho como harpista e compositor, Rafael aproxima referências musicais brasileiras e paraguaias, tradições populares e sonoridades relacionadas ao Pantanal e ao Cone Sul. “A harpa, nesse percurso, funciona tanto como instrumento de expressão quanto como ligação com a memória afetiva, cultural e os territórios que marcaram minha vida e minha formação”, afirma.

Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o artista também incorpora ao trabalho uma perspectiva sobre fronteiras, migrações e relações entre países.

Essa combinação entre música e formação acadêmica contribui para uma atuação que ultrapassa o palco e alcança o campo da articulação cultural.

A trajetória de Rafael Deboleto inclui apresentações em festivais nacionais e internacionais. Em 2025, o músico participou do Programa Silvio Santos, apresentado por Patrícia Abravanel, ampliando a exposição de sua arte na televisão brasileira. Em 2026, esteve no Rio de Janeiro com apresentações vinculadas ao Circuito Internacional de Harpas, incluindo a programação do XXI RioHarpFestival. Para 2027, já recebeu convite para uma apresentação no Chile, perspectiva que poderá ampliar sua circulação internacional e a divulgação de seu trabalho em outros países da América do Sul.

MADHA

Além da carreira artística, a atuação de Deboleto também envolve iniciativas de formação musical e valorização das tradições regionais. Ele é criador da MADHA (Missão Acordes da Harpa | @madha.br), movimento cultural que reúne iniciativas relacionadas à harpa, à produção cultural e à valorização das expressões musicais latino-americanas.

Entre suas frentes de atuação está a formação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social por meio do ensino da harpa paraguaia.

A proposta aproxima a difusão de um instrumento tradicional de uma dimensão social: ampliar o acesso à educação musical e criar oportunidades para que novas gerações tenham contato com práticas artísticas ligadas à história cultural da região.

“Essa atuação dialoga com a perspectiva que orienta todo o meu trabalho artístico, pois, acredito que para além da apresentação de repertórios, a música pode contribuir para preservar conhecimentos, estimular a criação e aproximar comunidades que compartilham referências culturais, ainda que estejam separadas por limites nacionais”, enfatiza.

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