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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Apreensão de 18 drones causa prejuízo de mais de R$ 300 mil ao crime organizado

Equipamentos eram adaptados para soltar cargas durante o voo; telas de proteção estão sendo instaladas

Dezoito drones usados para tentar levar celulares, drogas e outros materiais proibidos para dentro da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande foram interceptados nos últimos dois meses. As apreensões foram realizadas em uma ação conjunta da FPN (Força Penal Nacional) com a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e representam um prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil ao crime organizado, considerando apenas o valor dos equipamentos.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, os aparelhos eram adaptados para transportar cargas e soltá-las durante o voo, permitindo que os materiais chegassem ao interior da unidade prisional. Segundo as equipes de segurança, cada drone pode carregar até seis celulares e cerca de 600 gramas de entorpecentes.

A interceptação dos equipamentos faz parte de uma estratégia para impedir que organizações criminosas utilizem recursos tecnológicos para abastecer presídios. Os celulares, por exemplo, podem ser usados por detentos para manter contato com integrantes de grupos criminosos, transmitir ordens e aplicar golpes, além de outras atividades ilegais.

Além de retirar os drones de circulação, a Polícia Penal pretende aproveitar os equipamentos apreendidos na preparação dos próprios agentes. Os aparelhos estão sendo encaminhados à Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) para utilização em treinamentos. A proposta é permitir que os policiais conheçam as adaptações empregadas para transportar materiais e aprimorem as técnicas de identificação e interceptação.

Outra medida em andamento é a instalação de telas de proteção na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande. As estruturas devem funcionar como barreiras físicas para dificultar o lançamento de objetos por aeronaves não tripuladas.

A operação envolve o compartilhamento de informações e a atuação coordenada entre policiais penais federais e estaduais.

De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas Penais, as ações da Força Penal Nacional em Mato Grosso do Sul começaram em 24 de agosto e têm como objetivo testar e aperfeiçoar procedimentos de prevenção ao uso de drones no sistema prisional.

Operação sobre drones na Penitenciária de Dourados

Nesta quarta-feira (21), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou a operação Colete de Troia, que investiga policiais penais suspeitos de facilitar a entrada de drogas, celulares e outros materiais ilícitos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Dourados, Ivinhema e Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, e Paranavaí (PR).

Conforme apurado pela reportagem do Campo Grande News, os policiais investigados facilitavam a entrada de materiais ilícitos transportados por drones para dentro da penitenciária. Os equipamentos sobrevoavam repetidamente a unidade durante a madrugada e deixavam os objetos diretamente nas celas.

Em uma das ocasiões investigadas, um drone teria realizado mais de dez viagens em poucas horas sem ser impedido pelos policiais.

O esquema é investigado desde 2024 e, segundo a apuração, envolve uma organização criminosa com participação de servidores públicos, presos e pessoas de fora da unidade prisional.

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