A Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) investiga o relato de uma mãe que ouviu a voz de um homem desconhecido no walkie-talkie de brinquedo da filha de quatro anos, em Porto Alegre. O indivíduo se identificou no aparelho como “Lobo Cinzento”.
A investigação foi confirmada nessa quarta-feira, 21, pelo delegado André Mocciaro, da Divisão da Criança e do Adolescente da PCRS, responsável pelo caso. O aparelho já está com a perícia.
“O homem ainda não foi identificado. Como iniciamos as diligências na manhã desta quarta-feira, o inquérito está em fase inicial. Mas vamos trabalhar profundamente para localizá-lo”, disse o delegado ao Estadão.
O brinquedo é o Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, da fabricante Candide Briquedos. De acordo com o manual de instruções, o alcance máximo do aparelho é de 500 metros.
Em nota, a empresa afirmou que o brinquedo opera na faixa de 27 MHz e pode captar sinais de outros equipamentos próximos que utilizem a mesma frequência (leia mais ao fim do texto).
‘Lobo Cinzento’
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a mãe relatou que o walkie-talkie já havia captado vozes anteriormente, mas nunca de forma tão clara. No dia 15 de outubro, porém, ela ouviu uma voz masculina saindo do aparelho, que estava desligado e sobre uma mesa.
Nas imagens, a voz pergunta com quem está falando e se identifica como “Lobo Cinzento”. Segundo a mulher, em outro momento, o homem teria afirmado que iria “pegar” a filha dela.
A mãe registrou um boletim de ocorrência pela internet no dia 16 de outubro, e retirou as pilhas do brinquedo para preservá-lo para uma possível perícia policial.
De acordo com o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o uso do codinome “lobo” pode ser uma referência a um abusador.
“É uma forma de esses criminosos se comunicarem. Por isso, eles utilizam essas nomenclaturas e denominações. Não é apenas aqui, mas em qualquer lugar do mundo”, disse Mocciaro.
Segundo o delegado, é o primeiro caso registrado no Estado. A perícia será fundamental para analisar o alcance do walkie-talkie e entender como uma pessoa com outro equipamento pode ter estabelecido comunicação com o aparelho da criança.
“Técnicos já nos informaram que, mesmo que o aparelho tenha alcance restrito, se a pessoa do outro lado tiver um equipamento com uma antena maior, poderá ampliar esse alcance. Todas essas circunstâncias precisarão ser avaliadas para tentarmos identificar o autor”, afirmou.
Mocciaro alertou que aparelhos de comunicação, como celulares, computadores e walkie-talkies, só devem ser usados sob a supervisão dos responsáveis.
“A nossa expertise mostra que os crimes de abuso sexual infantil e das captações violentas pela internet acontecem basicamente com crianças que estão trancadas dentro de um quarto fazendo uso de um aparelho desses, sem supervisão dos pais. Por isso, é fundamental que os responsáveis fiquem atentos”, disse.
O que diz a Candide Brinquedos
A Candide explicou que o walkie-talkie funciona em uma frequência compartilhada com outros equipamentos.
“Em situações eventuais pode captar sinais de outros equipamentos que estejam próximos e operando na mesma faixa. Essa é uma característica técnica da tecnologia de rádio, não um defeito do produto”, afirmou.
A empresa também informou que o brinquedo tem certificação compulsória do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A fabricante recomenda desligar os dois aparelhos quando não estiverem em uso, já que eles funcionam de forma independente.

