Encerrada a eleição, espero sinceramente que os vencedores e os vencidos compreendam que chegou a hora de deixar as disputas eleitorais para trás e trabalhar pelo Brasil. O país precisa de união, equilíbrio e responsabilidade. Acima das diferenças políticas, existem milhões de brasileiros que esperam soluções para seus problemas.
A campanha eleitoral foi desgastante. Vimos poucas propostas concretas, muitas promessas, discussões confusas e uma quantidade excessiva de gritaria. De ambos os lados, não faltaram exageros, acusações e palavras que pouco contribuíram para esclarecer o eleitor sobre os verdadeiros desafios nacionais.
Mas a eleição terminou. E, com ela, deve terminar também o ambiente permanente de confronto. A democracia pressupõe divergências, mas não exige que adversários políticos se transformem em inimigos. É possível discordar com firmeza e, ao mesmo tempo, respeitar quem pensa de maneira diferente.
Agora, mais do que nunca, é preciso lembrar que a Constituição Federal estabelece os objetivos fundamentais da República. Entre eles estão “garantir o desenvolvimento nacional” e “promover o bem de todos”, conforme dispõe o artigo 3º, incisos II e IV.
Esses mandamentos constitucionais não são simples recomendações. Representam compromissos que devem orientar a atuação dos poderes públicos. Governar não significa trabalhar apenas para os próprios eleitores, mas assumir responsabilidades perante toda a população, inclusive aqueles que fizeram escolhas diferentes nas urnas.
O interesse público deve prevalecer sobre os interesses partidários. O bem comum precisa estar acima das conveniências eleitorais e das disputas pessoais. Quem recebeu um mandato popular recebeu, sobretudo, a responsabilidade de servir à sociedade.
Torço muito para que os eleitos, em todos os níveis de governo, tenham a grandeza de compreender essa missão. O Brasil precisa de investimentos, empregos, educação, saúde, segurança e desenvolvimento econômico. São questões que não podem ficar subordinadas a rivalidades políticas intermináveis.
Tenho uma expectativa especial em relação ao Congresso Nacional. Espero que deputados e senadores assumam, com independência e responsabilidade, a importância das funções que a Constituição lhes atribuiu. O Legislativo não pode se limitar a acompanhar as iniciativas do Executivo, tampouco transformar sua atuação em oposição sistemática.
Fiscalizar o Poder Executivo é uma de suas atribuições mais importantes. Fiscalizar com seriedade, exigir transparência, acompanhar a aplicação dos recursos públicos e cobrar resultados são deveres essenciais de um Parlamento comprometido com a população.
Também cabe ao Congresso produzir leis que atendam aos interesses nacionais, aperfeiçoem as instituições e contribuam para o desenvolvimento do país. Para isso, são necessários diálogo, estudo, independência e disposição para construir soluções, mesmo entre aqueles que possuem posições políticas diferentes.
Não espero unanimidade. Ela não existe e nem seria desejável numa democracia. Espero respeito, maturidade e compromisso com o Brasil. A oposição deve fiscalizar e apresentar alternativas; os governantes devem administrar com responsabilidade; e todos precisam reconhecer que o país é maior do que qualquer partido ou liderança política.
É isso que espero dos nossos representantes. Que a disputa pelas urnas dê lugar ao trabalho, que os discursos sejam acompanhados de resultados e que o interesse público prevaleça. Torço muito para que isso aconteça. Afinal, encerrada a eleição, não deve haver vencedores e vencidos quando o assunto é o futuro do Brasil. O Brasil precisa vencer.

