A Policlínica Cone Sul, que integra o Hospital Regional de Dourados, realizou 31.410 atendimentos em seu primeiro ano de funcionamento, entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Foram 12.131 consultas médicas e 19.279 exames, segundo balanço divulgado pela administração do complexo hospitalar. A estrutura atende pacientes de 34 municípios do sul de Mato Grosso do Sul, região com aproximadamente 900 mil habitantes.
Os números foram divulgados pouco mais de um ano depois do início das atividades da Policlínica, inaugurada em 29 de setembro de 2025. Já a Unidade I do Hospital Regional Olga Castoldi Parizotto começou a funcionar em 20 de dezembro do mesmo ano e completará seu primeiro aniversário em dezembro de 2026. Desde a abertura da estrutura hospitalar, foram realizadas 2.778 cirurgias, e os 100 leitos disponíveis nessa etapa já estão em operação.
A Policlínica concentra consultas especializadas e exames que auxiliam na identificação de doenças e na definição dos tratamentos. Dos 19.279 procedimentos diagnósticos realizados no período, 8.117 foram tomografias computadorizadas, o equivalente a aproximadamente 42% do total.
A ressonância magnética, incorporada à rede de atendimento em abril deste ano, contabilizou 429 exames até setembro. O serviço foi inaugurado com previsão de capacidade para realizar 480 procedimentos mensais, conforme anunciou a SES (Secretaria Estadual de Saúde) na época.
Entre junho e setembro deste ano, a Policlínica registrou média de 1.366 consultas médicas por mês, aproximadamente 315 por semana. Os atendimentos incluem cardiologia, gastroenterologia, endocrinologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia, urologia, ortopedia e cirurgia vascular, além de avaliações nas áreas de cirurgia geral adulta e pediátrica.
A unidade também acompanha crianças que receberam alta da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica e pacientes em preparação para cirurgia bariátrica. Nesse último caso, o atendimento inclui avaliações com especialistas, acompanhamento psiquiátrico e de outros profissionais de saúde, cirurgia e consultas posteriores ao procedimento.

Na área de diagnóstico, os serviços incluem ultrassonografia, mamografia, densitometria óssea, endoscopia, colonoscopia, exames laboratoriais e avaliações cardiovasculares, como ecocardiograma, teste ergométrico e monitoramento da pressão arterial durante 24 horas.
Os pacientes também podem passar por avaliações pré-operatórias com anestesistas e cardiologistas, destinadas a identificar riscos antes das cirurgias.
O acesso aos serviços especializados ocorre por meio da regulação do SUS (Sistema Único de Saúde). Isso significa que os pacientes precisam ser encaminhados pela rede pública, conforme a indicação médica e a disponibilidade de atendimento. A Policlínica não funciona como unidade de livre procura para consultas e exames.
A diretora-geral do Hospital Regional de Dourados e diretora regional da Agir (Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde), Andréia Alcântara, afirma que os atendimentos fazem parte da organização de uma rede que reúne consultas, exames e tratamentos.
"Mais do que números, esses resultados representam a ampliação das possibilidades de cuidado para a população. Cada consulta e cada exame fazem parte de um percurso assistencial que precisa funcionar de maneira integrada. Nosso compromisso é transformar o investimento público em serviços efetivos, com qualidade, segurança e responsabilidade na utilização dos recursos”, destaca.

Hospital chega a 100 leitos
Enquanto a Policlínica completou um ano, a parte hospitalar do complexo faz hoje 10 meses de funcionamento. A Unidade I, aberta em 20 de dezembro de 2025, alcançou a capacidade integral prevista para essa etapa, com 100 leitos ativados e disponíveis para atendimento pelo SUS.
O hospital recebe pacientes encaminhados pela rede pública e oferece internações clínicas, cuidados intensivos para adultos e crianças, assistência de urgência e emergência e procedimentos cirúrgicos.
As 2.778 cirurgias contabilizadas desde a abertura da Unidade I abrangem diferentes especialidades, como ortopedia, urologia, ginecologia, cirurgia vascular, oftalmologia e procedimentos do aparelho digestivo.
Entre as operações estão correções de hérnias, cirurgias bariátricas, procedimentos de coluna e mão, substituições de articulações do quadril e do joelho e intervenções ginecológicas e pediátricas.
O complexo também conta com a Unidade II, destinada aos procedimentos cirúrgicos eletivos, aqueles que podem ser programados com antecedência. A proposta é que os pacientes realizem exames, passem por avaliação especializada e, quando necessário, sejam encaminhados para cirurgia ou internação dentro da mesma estrutura.

Segundo a administração, uma pesquisa realizada em junho de 2026 apontou satisfação geral de 97,52% entre os usuários consultados. O índice foi de 96,11% na Unidade I, 98,56% na Unidade II e 97,74% na Policlínica. O balanço não informa o número de participantes da pesquisa nem a metodologia utilizada.
“Alcançar a plena operação dos 100 leitos representa uma etapa muito importante na consolidação do Hospital Regional de Dourados. Nosso desafio agora é assegurar que essa capacidade instalada se traduza em assistência resolutiva, com qualidade, segurança e eficiência. Em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, seguimos trabalhando para fortalecer os fluxos assistenciais e ampliar o acesso da população aos serviços especializados”, afirma Andréia.

História da obra
A entrada em funcionamento do Hospital Regional encerrou uma espera de vários anos pela ampliação da estrutura pública de saúde em Dourados. O empreendimento começou a ser discutido ainda na gestão do ex-governador André Puccinelli (MDB), mas a construção avançou durante o governo de Reinaldo Azambuja (PL).
Em julho de 2017, o Ministério da Saúde aprovou os projetos de arquitetura e engenharia, permitindo o avanço dos procedimentos necessários à contratação da obra. Na ocasião, o investimento inicialmente anunciado era de R$ 27,2 milhões, com recursos estaduais e federais.
A ordem de serviço para o início da construção foi assinada em 29 de junho de 2018, pelo então governador Reinaldo Azambuja. O projeto apresentado naquela época previa três etapas e capacidade final de 210 leitos, com investimento estimado em R$ 53,6 milhões para a edificação.
O cronograma, porém, sofreu atrasos. Em 2019, os trabalhos foram interrompidos devido à necessidade de revisão dos projetos arquitetônicos, estruturais e complementares, além de alterações no orçamento solicitadas pela construtora.
A construção foi retomada em maio de 2020, quando apenas 9,62% dos serviços haviam sido executados. A previsão de conclusão, inicialmente estabelecida para junho de 2021, foi transferida para novembro daquele ano. O novo prazo também não foi cumprido.
Em setembro de 2020, durante visita ao canteiro de obras, Azambuja anunciou outra previsão, desta vez para o fim de 2021. Na época, o investimento total estimado para a construção era de aproximadamente R$ 43 milhões, com recursos de emendas parlamentares federais e contrapartida estadual.
Em 2022, o empreendimento ainda estava em execução. A conclusão das primeiras etapas e a instalação dos equipamentos avançaram nos anos seguintes, até a abertura dos serviços ao público em 2025.
A Policlínica foi o primeiro setor do novo complexo a receber pacientes, em setembro de 2025, antes da cerimônia de entrega oficial, realizada em 27 de outubro. A estrutura recebeu R$ 18,1 milhões em investimentos, segundo o Governo do Estado.
A Unidade I iniciou as atividades em dezembro, com abertura gradual dos serviços. O complexo foi concebido para reunir atendimento ambulatorial, diagnóstico, internação e cirurgia, com expansão prevista em diferentes fases.

Região tem 900 mil habitantes
O Hospital Regional de Dourados faz parte da reorganização da assistência pública de saúde no sul de Mato Grosso do Sul. A macrorregião Cone Sul abrange 34 municípios e uma população estimada em aproximadamente 900 mil habitantes, de acordo com dados apresentados pela SES em dezembro de 2025.
Dourados concentra serviços hospitalares utilizados também por pacientes de outros municípios, especialmente em especialidades que exigem equipamentos, equipes e estruturas de maior complexidade.
Antes da abertura do novo complexo, parte dessa demanda já era atendida pelo Hospital da Vida, pelo Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e por outras instituições públicas e conveniadas ao SUS. A região também conta com unidades de referência em municípios como Ponta Porã, Naviraí e Nova Andradina.
A distribuição dos serviços é especialmente importante em uma região que inclui municípios da faixa de fronteira com o Paraguai, além de cidades distantes dos principais centros hospitalares do Estado. A necessidade de viajar para realizar consultas, exames ou cirurgias é uma das dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem de atendimento especializado.
A estratégia estadual prevê que os municípios mantenham os atendimentos básicos e encaminhem os casos de maior complexidade para hospitais de referência, conforme a necessidade de cada paciente.
O Hospital Regional também busca diminuir a dependência de estruturas de Campo Grande para determinados tratamentos. Com mais equipamentos e especialidades disponíveis em Dourados, parte dos pacientes pode fazer consultas, exames e procedimentos sem precisar viajar até a Capital.

