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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Em menos de 6 meses, residencial volta a alagar e água de esgoto invade casas

Entregue em 2019, condomínio no Jardim Marajoara volta amargar transtornos por falta de escoamento

A chuva forte e persistente que atinge Campo Grande desde domingo (11) voltou a provocar alagamentos no Residencial Rui Pimentel 1, na região do Jardim Marajoara. Menos de seis meses após o último episódio noticiado pelo Campo Grande News, em março deste ano, moradores voltam a enfrentar problemas com a água que toma as ruas, invade residências e, em alguns casos, retorna pelos encanamentos misturada ao esgoto.

O condomínio foi entregue em outubro de 2019 e, segundo a síndica Paola Maro, o problema de escoamento da água persiste desde o início. Atualmente, cinco casas são diretamente afetadas, com entrada de água considerada insalubre pelos moradores. A situação também provoca transbordamento da rede de esgoto, aumentando a preocupação com os riscos à saúde das famílias.

Em março, o Campo Grande News mostrou que a Avenida Marajoara ficou completamente tomada pela água durante um temporal, com moradores relatando prejuízos e retorno de esgoto pelos ralos das residências. Na ocasião, os relatos apontavam que os alagamentos se repetiam desde a entrega do empreendimento, sem solução definitiva.

Agora, Paola afirma que o condomínio continua sem a estrutura necessária para dar vazão à água. “Sou a sétima síndica deste empreendimento, que foi entregue em outubro de 2019. Desde então, nenhum síndico conseguiu resolver o problema da vazão da água. Temos bocas de lobo, mas não há tubulação para fazer o escoamento. Também não temos cisterna no condomínio”, relata.

A síndica afirma que já procurou vereadores e a concessionária responsável pelo abastecimento de água, mas não conseguiu encaminhar uma solução. Segundo ela, a empresa informou que não seria responsável pelo problema.

“São cinco casas diretamente afetadas. Além disso, há o problema da poluição da água, que é insalubre e entra nas residências. Essa água também chega à rede de esgoto, que acaba transbordando. Isso é uma questão de saúde pública”, afirma Paola, que é formada em enfermagem.

Em menos de 6 meses, residencial volta a alagar e água de esgoto invade casas
Rua dentro do residencial se transformou em rio durante a chuva (. Foto: Paulo Francis)

Falta de estrutura – De acordo com a síndica, o residencial possui bocas de lobo, mas a estrutura não seria suficiente para garantir o escoamento da água. Ela relata que os bueiros estão cheios de terra e precisam de limpeza, mas ressalta que esse serviço, sozinho, não resolveria o problema, já que não há tubulação adequada para conduzir a água.

Paola também aponta a ausência de uma cisterna como uma das diferenças em relação ao condomínio vizinho, o Rui Pimentel 2, localizado à frente do empreendimento. Segundo ela, o residencial vizinho conta com a estrutura, enquanto o Rui Pimentel 1 não dispõe do mesmo recurso.

A síndica acredita que a solução pode exigir uma avaliação da área localizada nos fundos do condomínio, ocupada por famílias, para verificar alternativas de escoamento. Ela afirma que pretende cobrar providências do poder público e não descarta recorrer à Justiça.

Sobre a origem do problema, Paola relata que, conforme o histórico que conhece, os imóveis ficaram fechados por um período durante a construção e houve uma invasão antes da entrega. Na avaliação dela, a pressa para disponibilizar as unidades pode ter contribuído para que a questão da drenagem não fosse resolvida. Essa versão, porém, é um relato da síndica e não há, nas informações disponíveis, confirmação independente sobre as circunstâncias da construção e da entrega do residencial.

Em menos de 6 meses, residencial volta a alagar e água de esgoto invade casas
Síndica Paola Maro, que cobra solução para o local que foi entregue em outubro de 2019 (. Foto: Duda Schindler)

Condomínio não tem recursos para bancar obra – Diante da falta de solução, a administração chegou a solicitar orçamentos particulares para tentar resolver o problema por conta própria. Segundo Paola, uma das propostas ficou em R$ 48 mil e outra em R$ 69 mil, valores que o condomínio não tem condições de pagar.

A taxa condominial atualmente é de R$ 110 por mês, mas, conforme a síndica, a inadimplência é alta e compromete a capacidade de arrecadação. Ela afirma que parte dos moradores enfrenta dificuldades financeiras até para manter o pagamento mensal.

“O poder público diz que é um empreendimento privado, mas, na minha avaliação, foi mal planejado e entregue sem a estrutura necessária. Não podemos assumir sozinhos o custo de um problema que deveria ter sido resolvido antes da entrega”, argumenta.

Para Paola, a situação evidencia a dificuldade enfrentada por famílias de baixa renda que conquistaram a casa própria, mas convivem com problemas estruturais que afetam o uso dos imóveis. Segundo ela, os moradores trabalham, compram móveis e organizam a vida nas residências, mas ficam sujeitos a prejuízos sempre que chove com intensidade.

“Quando chove, fico pensando nos moradores que vivem ali. Não tenho sossego porque vejo o sofrimento dessas pessoas. Tenho dó porque são famílias que trabalham, compram seus móveis e constroem suas vidas, mas acabam perdendo tudo por causa da água que entra nas casas”, afirma.

Cobrança por solução – A síndica critica o que considera falta de assistência do poder público e questiona a entrega de empreendimentos habitacionais sem a garantia de condições adequadas de moradia. Para ela, não basta disponibilizar as unidades: é necessário assegurar que as famílias tenham infraestrutura para viver com segurança e dignidade.

“Que projeto de moradia própria e digna é esse? Acredito que as pessoas que vivem aqui são de baixa renda. Não adianta divulgar na mídia a entrega de 200 ou 300 habitações sem garantir dignidade aos moradores, que financiam seus imóveis por 10 ou 20 anos”, afirma.

Paola diz que pretende levar a situação à Câmara Municipal e cobrar dos representantes públicos o compromisso com uma solução. Ela assumiu a sindicância com mandato previsto até março de 2028 e afirma que espera resolver o problema durante a gestão.

“Minha gestão vai até março de 2028. Quero uma solução dentro desse período, porque não vou sossegar enquanto o poder público não assumir essa situação”, declara.

A síndica afirma que continuará cobrando providências e não descarta judicializar o caso, caso não haja encaminhamento. Enquanto isso, os moradores seguem expostos aos alagamentos que, segundo os relatos, se repetem desde a entrega do residencial, há quase sete anos.

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