25 C
Dourados
segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Patinete vira mão na roda para ir ao trabalho e resolver tarefas no almoço

Equipamento entrou na rotina de quem busca economizar tempo, sentir o vento no rosto e fugir de ônibus lotados

Seja para encurtar o caminho até o trabalho, resolver compromissos na hora do almoço ou aproveitar o vento no rosto, os patinetes elétricos viraram uma mão na roda para os moradores de Campo Grande. Desde que começaram a circular pela Capital, em 7 de julho deste ano, os equipamentos ganharam espaço na rotina de quem busca economizar tempo, fugir dos ônibus lotados ou simplesmente passear pela cidade.

Patinete vira mão na roda para ir ao trabalho e resolver tarefas no almoço
Eberson aciona aplicativo para iniciar trajeto de patinete (. Foto: Osmar Veiga)

O pintor Eberson Antônio da Cruz, de 42 anos, por exemplo, encontrou no patinete uma alternativa para chegar ao serviço. Morador do Bairro Santa Emília, ele pega ônibus até o Centro, desce nas proximidades da Praça Ary Coelho e segue sobre duas rodas até a Avenida Eduardo Elias Zahran, em frente à TV Morena, onde trabalha.

Por volta das 7h30 desta segunda-feira (19), a reportagem encontrou Eberson na Avenida Afonso Pena, enquanto acionava o aplicativo para iniciar o percurso. Na ocasião, ele faria algumas paradas antes de chegar ao serviço. Primeiro, passaria pelo Camelódromo e depois pelo local de trabalho da mãe, ambos na região central.

Segundo o pintor, o trajeto entre o Centro e a Avenida Eduardo Elias Zahran leva cerca de 30 minutos. Com o uso diário do equipamento, na ida e na volta, ele calcula gastar aproximadamente R$ 600 por mês.

Mesmo com o custo, Eberson considera a opção mais confortável que o ônibus, principalmente nos horários de pico. “É uma mão na roda. Se pudesse, vinha do Santa Emília e voltava de patinete. A gente faz o percurso tomando vento. O ônibus é muito apertado e, dependendo do horário, nem para quando está muito cheio”, contou.

Patinete vira mão na roda para ir ao trabalho e resolver tarefas no almoço
Evelyn queria usar o patinete para ir à faculdade (. Foto: Osmar Veiga)

A estudante Evelyn Castro, de 30 anos, também gostaria de percorrer distâncias maiores. Moradora do Bairro Chácara Cachoeira, ela já experimentou o serviço para passear, mas pretende utilizá-lo como meio de transporte até a faculdade. Como estuda à noite na Uniderp, depende de ônibus ou transporte por aplicativo para chegar às aulas.

Segundo Evelyn, a área de circulação permitida impede que o patinete seja uma opção para esse deslocamento. “Às vezes, eu queria usar para ir à faculdade, mas não tem como. Quando você baixa o aplicativo, vê a área em que pode andar. Se tivesse uma área maior, poderia fazer trajetos mais longos e compensaria”, explicou.

A estudante, porém, reconhece que a restrição pode ajudar a evitar o uso indevido dos veículos. “A gente não pode confiar em todo mundo. Já pensou se alguém pega e leva para outro lugar, para uso próprio? Nessa parte, a empresa tem razão de limitar”, pontuou.

Patinete vira mão na roda para ir ao trabalho e resolver tarefas no almoço
Lorenzo Yan utiliza patinete para passear e resolver tarefas no Centro (. Foto: Osmar Veiga)

Para quem trabalha no Centro, os patinetes também servem para deslocamentos rápidos durante o expediente. O auxiliar de escritório Lorenzo Yan, de 18 anos, trabalha na Galeria Itamarati, na Rua 14 de Julho, e mora a apenas uma quadra dali. Como não precisa de transporte para chegar ao serviço, costuma utilizar o equipamento para passear, mas já aproveitou o horário de almoço para resolver uma pendência na região da prefeitura. “Eu uso mais para passeio, mas já cogitei usar para resolver alguma coisa mais longe, porque é rápido e fácil de usar”, afirmou.

Na avaliação de Lorenzo, a área de circulação disponível atende às suas necessidades, mas poderia ser ampliada futuramente. “Acho que, por enquanto, atende à demanda. Mais para frente seria legal aumentar o alcance”, comentou.

Na Praça Ary Coelho, um dos pontos onde os patinetes ficam disponíveis, o vendedor de ervas Paulo Fialho acompanha a movimentação. Há cerca de 30 anos trabalhando no local, ele observa que o maior fluxo de usuários ocorre nos horários de saída das escolas e do Instituto Mirim, principalmente entre adolescentes e jovens. “Daqui a pouco saem os meninos do colégio e do Mirim. É o horário que tem mais movimento”, relatou.

Paulo conta que o comércio na região central está fraco, mas ainda vê pessoas utilizando o serviço. Ele diz, no entanto, que não chegou a observar quantos usuários retiram ou devolvem os veículos diariamente.

Patinete vira mão na roda para ir ao trabalho e resolver tarefas no almoço
Gabriel experimenta patinete pela primeira vez para ir ao shopping (. Foto: Osmar Veiga)

O serviço também desperta a curiosidade de quem vem à Capital. O trabalhador rural Gabriel Rodrigues, de 26 anos, morador do distrito de Anhanduí, aproveitou uma consulta ao dentista no Centro para experimentar o patinete pela primeira vez.

Depois do atendimento, decidiu seguir até o Shopping Campo Grande. Quando conversou com a reportagem, havia acabado de baixar o aplicativo e colocado R$ 20 em créditos, valor que permitiria 40 minutos de uso. Para Gabriel, a rapidez e a possibilidade de escapar do trânsito tornam a experiência vantajosa. “Compensa, sim. É mais rápido, corta logo o trânsito”, afirmou.

Os patinetes elétricos começaram a operar em Campo Grande em 7 de julho de 2026. Quase três meses depois, em 2 de outubro, a Prefeitura autorizou uma segunda empresa, a Whoosh, a oferecer o serviço na Capital, também em caráter experimental.

Leia também

Últimas Notícias