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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Avião que deixou feridos no Pantanal bateu em banco de areia antes de capotar

Relatório do Cenipa revela que o piloto confundiu pista com área em construção e voava acima do peso permitido

O avião Cessna Aircraft PT-JSE que sofreu um acidente com 4 pessoas a bordo no Pantanal de Corumbá, em novembro de 2023, bateu em um banco de areia antes de capotar e parar de cabeça para baixo. O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) detalhou a sequência em relatório divulgado nesta semana, que identificou falhas no planejamento do voo, excesso de peso e erro na identificação do local de pouso.

A investigação revelou que o piloto confundiu a pista onde pretendia pousar com uma área em construção, localizada a aproximadamente 700 metros do destino. O terreno parecia nivelado, mas era formado por areia e apresentava desníveis, estacas e maquinário. Durante a tentativa de pouso, o avião atingiu um banco de areia, sofreu um impacto brusco contra o solo e teve o trem de pouso dianteiro quebrado. Em seguida, percorreu mais alguns metros e capotou.

O acidente aconteceu em 15 de novembro de 2023, perto do destino, que era a Fazenda Riozinho, na região do Caronal, no Pantanal. A aeronave havia decolado de Coxim com destino à propriedade rural. A bordo estavam o piloto e três passageiros. Dois ocupantes sofreram ferimentos graves, incluindo o piloto, enquanto os outros dois tiveram lesões leves.

Na época, os feridos foram socorridos e houve transferência de vítimas para Campo Grande. Agora, quase três anos depois, a conclusão da investigação esclarece as circunstâncias que levaram ao acidente.

Avião que deixou feridos no Pantanal bateu em banco de areia antes de capotar
Banco de areia em pista de área de construção contra a qual aeronave bateu ao pousar. (. Foto: Reprodução)

Um dos principais problemas identificados pelo Cenipa foi que a aeronave operava acima dos limites estabelecidos pelo fabricante. Na decolagem, o avião estava aproximadamente 65 quilos acima do peso máximo permitido. No momento do pouso, o excesso chegava a 76 quilos.

A diferença ocorreu porque o limite de peso para pousar era menor do que o autorizado para decolar. Embora o avião tenha consumido combustível durante o trajeto, a redução não foi suficiente para colocá-lo dentro das condições permitidas.

Outro ponto considerado decisivo foi a escolha do local de aterrissagem. O piloto pretendia pousar em uma pista da Fazenda Riozinho que não estava cadastrada na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e não possuía sinalização de cabeceira.

Segundo os investigadores, ele nunca havia pousado naquela localidade e não entrou em contato previamente com os responsáveis pela propriedade para obter informações sobre as condições da pista e do tempo.

A falta de conhecimento do terreno, somada à fumaça que dificultava a visibilidade, contribuiu para que o piloto confundisse uma área em preparação para receber uma futura pista com o local de pouso pretendido.

Por fim, as condições meteorológicas também foram apontadas como fator contribuinte para o acidente. Imagens de satélite não indicaram precipitações significativas na rota, mas registros fotográficos e informações de observadores locais confirmaram a presença de fumaça na região.

Avião que deixou feridos no Pantanal bateu em banco de areia antes de capotar
Distância percorrida pela aeronave depois do choque. (. Foto: Reprodução)

A visibilidade estava prejudicada, embora os investigadores não tenham conseguido determinar com precisão se as condições meteorológicas estavam abaixo dos limites mínimos exigidos para a realização do voo.

A decisão de continuar em direção a um local desconhecido, mesmo com a visibilidade reduzida, foi considerada um dos problemas da operação.

O avião também não possuía equipamento de GPS instalado. Segundo o relatório, a aeronave, fabricada em 1974, utilizava instrumentos analógicos e acumulava 4.131 horas e 30 minutos de voo na data do acidente.

Apesar das falhas identificadas, o piloto estava com a licença, a habilitação para aviões monomotores terrestres e o certificado médico aeronáutico válidos. A investigação concluiu que ele atendia aos requisitos regulamentares para realizar o voo.

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