O avião Cessna Aircraft PT-JSE que sofreu um acidente com 4 pessoas a bordo no Pantanal de Corumbá, em novembro de 2023, bateu em um banco de areia antes de capotar e parar de cabeça para baixo. O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) detalhou a sequência em relatório divulgado nesta semana, que identificou falhas no planejamento do voo, excesso de peso e erro na identificação do local de pouso.
A investigação revelou que o piloto confundiu a pista onde pretendia pousar com uma área em construção, localizada a aproximadamente 700 metros do destino. O terreno parecia nivelado, mas era formado por areia e apresentava desníveis, estacas e maquinário. Durante a tentativa de pouso, o avião atingiu um banco de areia, sofreu um impacto brusco contra o solo e teve o trem de pouso dianteiro quebrado. Em seguida, percorreu mais alguns metros e capotou.
O acidente aconteceu em 15 de novembro de 2023, perto do destino, que era a Fazenda Riozinho, na região do Caronal, no Pantanal. A aeronave havia decolado de Coxim com destino à propriedade rural. A bordo estavam o piloto e três passageiros. Dois ocupantes sofreram ferimentos graves, incluindo o piloto, enquanto os outros dois tiveram lesões leves.
Na época, os feridos foram socorridos e houve transferência de vítimas para Campo Grande. Agora, quase três anos depois, a conclusão da investigação esclarece as circunstâncias que levaram ao acidente.

Um dos principais problemas identificados pelo Cenipa foi que a aeronave operava acima dos limites estabelecidos pelo fabricante. Na decolagem, o avião estava aproximadamente 65 quilos acima do peso máximo permitido. No momento do pouso, o excesso chegava a 76 quilos.
A diferença ocorreu porque o limite de peso para pousar era menor do que o autorizado para decolar. Embora o avião tenha consumido combustível durante o trajeto, a redução não foi suficiente para colocá-lo dentro das condições permitidas.
Outro ponto considerado decisivo foi a escolha do local de aterrissagem. O piloto pretendia pousar em uma pista da Fazenda Riozinho que não estava cadastrada na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e não possuía sinalização de cabeceira.
Segundo os investigadores, ele nunca havia pousado naquela localidade e não entrou em contato previamente com os responsáveis pela propriedade para obter informações sobre as condições da pista e do tempo.
A falta de conhecimento do terreno, somada à fumaça que dificultava a visibilidade, contribuiu para que o piloto confundisse uma área em preparação para receber uma futura pista com o local de pouso pretendido.
Por fim, as condições meteorológicas também foram apontadas como fator contribuinte para o acidente. Imagens de satélite não indicaram precipitações significativas na rota, mas registros fotográficos e informações de observadores locais confirmaram a presença de fumaça na região.

A visibilidade estava prejudicada, embora os investigadores não tenham conseguido determinar com precisão se as condições meteorológicas estavam abaixo dos limites mínimos exigidos para a realização do voo.
A decisão de continuar em direção a um local desconhecido, mesmo com a visibilidade reduzida, foi considerada um dos problemas da operação.
O avião também não possuía equipamento de GPS instalado. Segundo o relatório, a aeronave, fabricada em 1974, utilizava instrumentos analógicos e acumulava 4.131 horas e 30 minutos de voo na data do acidente.
Apesar das falhas identificadas, o piloto estava com a licença, a habilitação para aviões monomotores terrestres e o certificado médico aeronáutico válidos. A investigação concluiu que ele atendia aos requisitos regulamentares para realizar o voo.

