O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (24), após não ser encontrado em casa durante o cumprimento de um mandado de prisão da Operação Infiltrados. A investigação apura um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas, com a participação de agentes de segurança pública.
Pela manhã, equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) estiveram na residência do delegado, no bairro Carandá Bosque, mas não o localizaram. Os investigadores buscaram imagens de câmeras de segurança para verificar quando ele havia deixado o imóvel. A ausência também levou o grupo a apurar um possível vazamento de informações sobre a operação, sem confirmação, até aquele momento, de que Hoffman soubesse previamente da ação.
O advogado do delegado, Amilton Ferreira de Almeida, negou ao Campo Grande News que o cliente estivesse foragido. Segundo ele, Hoffman não tinha conhecimento da operação, e a família procurou a defesa ao notar a movimentação policial na residência. O defensor afirmou que o delegado se apresentaria às autoridades caso houvesse uma ordem de prisão contra ele. Durante as buscas, os dois chegaram a conversar por videochamada.
A Operação Infiltrados prevê o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os investigados teriam usado o acesso proporcionado por seus cargos para retirar entorpecentes de delegacias e depósitos estaduais, principalmente cocaína, e devolvê-los ao mercado ilegal. Há suspeita de que parte da droga tenha sido desviada antes de passar pelos procedimentos regulares de armazenamento e destinação.
Entre os detidos citados na operação estão os policiais civis Nelson Ricardo, de 40 anos; Douglas, de 45; Neverson, de 44; Luiz Carlos, de 37; Nilton César, de 55; e Wesley. Também consta entre os presos o ex-policial civil Augusto Torres , de 39 anos.
A relação inclui ainda o policial militar Alison Lemes, Valdenice, mãe de um dos investigados, e Ana Carolina, apontada como irmã de outro investigado. O policial penal Vitor Ribeiro, também alvo da operação, já estava preso.
Segundo o MPMS, a investigação teve início em outubro de 2025 e reúne desdobramentos das operações Traquetos e Blindspot, que apuraram atividades ligadas ao tráfico de drogas e possíveis conexões com agentes públicos. O caso tramita sob sigilo. As defesas afirmam que aguardam acesso aos autos para conhecer as acusações e os elementos atribuídos a cada investigado.

