A indicação de Heitor Rodrigues Freire para presidir a Santa Casa de Campo Grande perdeu efeito menos de 24 horas após o anúncio da nova gestão. Em liminar concedida na noite de quarta-feira (23), a Justiça determinou o afastamento dos integrantes da Diretoria Corporativa e do Conselho de Administração do hospital e nomeou o cirurgião cardiovascular Luiz Alberto Hiroki Kanamura como gestor provisório.
A medida atende a um pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Kanamura havia sido anunciado naquela manhã como superintendente da gestão que comandaria a instituição até 2028. Agora, ficará responsável pela administração por um prazo inicial de 180 dias, que poderá ser prorrogado.
A decisão do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, alcança também Alir Terra Lima. A ex-presidente já havia sido afastada após sua prisão preventiva na Operação Antidotum, em 11 de setembro, e comunicou a renúncia ao cargo por carta nesta semana.
Ao justificar a liminar, o magistrado apontou o risco de que dirigentes e conselheiros que permaneceram na instituição dificultassem uma auditoria completa, por ainda terem acesso a documentos, senhas e relatórios financeiros. Ele também considerou a nota de solidariedade divulgada em favor dos presos na operação e o risco de prejuízo ao atendimento hospitalar.
Os afastados estão impedidos de entrar nas dependências públicas e privadas da Santa Casa, tanto em Campo Grande quanto em Dourados. A Operação Antidotum investiga suspeitas de desvio de recursos da instituição e resultou na prisão preventiva de integrantes da antiga direção.
O gestor provisório deverá conduzir a administração do hospital e a nova contratualização com o Município de Campo Grande, com intervenção do Governo do Estado. A liminar proíbe a contratação de novos empréstimos e exige prestação de contas mensal à Justiça, com informações sobre receitas, despesas, contratos, medidas de regularização e continuidade dos serviços de saúde.

